Emagrecimento: emoções também pesam na balança!

“Estou há dias comendo salada e peito de frango e não emagreci um grama até agora!”, foi o que Ana* me disse recentemente em uma reunião festiva da qual participávamos. Ela, uma jovem e bela mulher me relatou que havia recebido a recomendação médica de realizar reeducação alimentar, pois precisava reduzir peso, melhorar sua saúde física. “Como se não bastassem os problemas que estou na minha família Luciene, agora também tenho mais essa preocupação!”, ela se lamentou. A fala de Ana dizia de uma expectativa frustrada, exemplifica como normalmente associamos o processo de perda de peso apenas a mudanças na rotina alimentar, negligenciando demais aspectos nossos que também precisam de cuidados. Reflita comigo, será mesmo que mudar a rotina alimentar é suficiente para alcançar o tão sonhado emagrecimento?

Todos os dias (especialmente nas segundas-feiras!) várias pessoas iniciam mudanças na rotina alimentar, as quais costumam perdurar por alguns dias, no tardar por alguns meses. Por isso, posso afirmar que a resposta é NÃO. Mudar a rotina alimentar é importantíssimo e fundamental ao processo de emagrecimento, assim como a inclusão de atividades físicas no cotidiano, no entanto, não é possível processar uma mudança no corpo se deixamos de lado o cuidado com outras partes que nos compõe enquanto seres humanos, a citar uma delas, nossas emoções.

Falar de emoções é algo que “dá pano pra manga”, por isso vamos apenas retornar ao exemplo de Ana. Algo martelava em sua cabeça naquela noite: o retorno na consulta médica que aconteceria dentro de dois dias! Reflita comigo… você consegue imaginar o que deixava Ana preocupada? Ela se preocupava com o fato de que o médico iria ficar zangado e dizer que ela não tinha conseguido emagrecer, apesar de suas recomendações! Medo, ansiedade, frustração, tristeza, um misto de sentimentos aversivos tomou conta dela só de tocar naquele assunto. Envolvida por uma onda de mal estar ela não pensou muito, estava tudo pesado demais para ela ter que lidar sozinha, procurou logo, ali mesmo uma solução, uma forma de aliviar toda aquela tensão: colocou bastante caldo de feijão em seu prato e incrementou com vários pedaços de bacon e bastante torresminhos. “Hummmmm, nossa, que delícia! Vou repetir só mais uma vez!”

Enfim… um momento de alívio, de se permitir, de se aliviar: na comida. Naquele momento Ana se utilizou da comida para cuidar de seus sentimentos de ansiedade e frustração. Ela não tinha outro caminho, não sabia outra forma de se cuidar de si e então seguiu o percurso já conhecido e construído naturalmente por ela: o de buscar apoio na comida. Para Ana, o processo de emagrecer já havia se tornado um grande peso, uma obrigação, uma cobrança, autocobrança, um fardo para se carregar. Depois de tudo veio a culpa e ela se sentiu ainda pior consigo mesma, mal sabia ela que quando decidiu por se permitir comer todo aquele bacon e torresminhos com seu caldo, ela estava apenas buscando uma forma de cuidar de si, de suas emoções!

Reflita comigo, o peso que Ana experimentou não foi o peso de seu corpo físico, mas o peso de ter que lidar com o fato de que, naquele momento, ela não corresponderia às expectativas de seu médico, bem como às suas próprias expectativas! Construir uma nova forma de lidar com a frustração e com a expectativa e ansiedade associadas ao emagrecimento seria um passo importante a ser dado por ela. Também tem enfrentado dificuldades no seu processo de emagrecimento? Convido-lhe a refletir sobre a forma como tem cuidado de suas emoções. Não dá para cuidar apenas do corpo físico, é preciso cuidar do dono do corpo e este dono precisa de muitos outros cuidados, inclusive de cuidados emocionais.  Até breve!

*nome fictício

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